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Ele imaginou uma força da qual depois se arrependeu por achar que só existia na sua cabeça. Mas há indícios de que ela é real....

Em 1687, o físico inglês Issac Newton formulou a lei da gravitação universal e com ela, pela primeira vez, foi capaz de explicar por que os objetos ou os animais e qualquer outra coisa são, todos, puxados na direção do centro da Terra. Explicou também por que a Lua gira em torno do nosso planeta e por que este gira em volta do Sol.

No começo deste século, o alemão Albert Einstein alterou a lei da gravidade de Newton. Observou, então, corretamente, que a tração universal tendia a fazer as galáxias caírem uma sobre as outras. Então, como isso certamente não estava acontecendo, imaginou que o Cosmo deveria conter uma espécie de força de repulsão cujo papel seria afastar as galáxias entre si, compensando a atração gravitacional. Em suma, algum tipo de antigravidade.

Einstein deu a essa força extra o nome de "constante cosmológica" e acrescentou-a às equações que, daí para frente, passaram a descrever o funcionamento da gravidade em lugar da antiga lei de Newton. Foi esse conjunto de fórmulas que ficou conhecido como a Teoria da Relatividade Geral.

Passaram-se dez anos, veio a década de 20 e o americano Edwin Hubble demonstrou que o Universo, na verdade, está em expansão. Ou seja, as galáxias estão se afastando uma das outras, e não há possibilidade de elas virem a cair umas sobre as outras. Portanto, a tal repulsão imaginada por Einstein tornou-se desnecessária e ele reagiu de imediato, declarando que havia cometido "o maior erro da minha vida".

Só que agora surgem indícios que podem ressuscitar a constante de Einstein. Medindo a velocidade de estrelas que explodem a grandes distâncias, os astrônomos concluem que elas estão em movimento acelerado (veja matéria Velocidade máxima, Revista SUPERINTERESSANTE - 06 - Junho/ 1998-pág.38). Provavelmente impulsionadas por alguma força, de natureza desconhecida. Quer dizer, além do movimento de expansão, elas estariam recebendo um empurrão adicional. Algo parecido com a energia de repulsão que Einsteinimaginava.

Era mesmo de se esperar que a constante cosmológica fosse medida, já que o aperfeiçoamento incessante dos telescópios amplia continuamente o nosso conhecimento do Universo. Também é certo que as medições feitas recentemente irão gerar controvérsias.

Alguns cientistas tentarão comprovar que elas estão corretas e outros, que estão erradas. Mas, no final, as convicções sempre convergem, mesmo que leve algum tempo.

Neste exato momento, a expectativa é grande porque, se confirmada, a força de repulsão cósmica terá conseqüências muito importantes. Basta ver que, para os físicos, ela está associada ao vácuo, o que abre caminho para uma intrigante investigação: a de saber como o vazio, apesar de não conter nada, em princípio, seria capaz de produzir força e de impulsionar as galáxias.

Revista SUPER-06-Junho/1998