Café Viana

November 25th, 2007 | by Tiago Gomes |

Opa povo…

Hoje como estava sem absolutamente nada pra fazer, resolvi fazer uma caminhada ao e no centro de Braga, de novo já que depois do Bom Jesus é o meu lugar favorito. Gosto de lá, pois nos finais de semana a gente vê as pessoas de Braga que não são os estudantes, os casais, os velhos… os meninos correndo… os pais a brigar com os meninos… e os meninos ainda assim correndo… Além disso tem sempre a beleza da fonte, os bancos da praça cheios de casais…

Mas vamos ao café. Esse café Viana fica bem na praça, em frente à fonte, uma posição privilegiada realmente (anexo uma foto ao final deste post), bom, ai hoje pela primeira vez resolvi ir até este café, já que minha preferência era sempre para o café d’abrasileira que fica ao lado. Só que hoje resolvi ir neste, e como estava particurlamente frio hoje, resolvi ficar dentro do café. (hoje foi um dia de inovações)

Ao entrar no café, um mundo novo revelou-se aos meus olhos, um neon na parede indicava que o café existe desde 1871, e nessa hora eu imaginei quantas pessoas já haviam passado por ali? Quantos namoros começaram e terminaram ali dentro? Será que já houve algum pedido de casamento ali?

Ai resolvi sentar-me, escolhi uma mesa próximo à porta que daria para ver as pessoas que entrassem, conseguiria ver o balcão, mas impedia-me de ver metade do salão. Tudo bem. O balcão tem detalhes em mármore, ou algo do tipo, branco, por cima um lustre de ferro, com lâmpadas pendentes, o que deixa o local sempre meio mal iluminado. A parede ao fundo do bar, coberta por espelhos já desgastados… Mas nesse momento, uma parte dessa nostalgia é substituida por uma figura de blusa de cetim claro, com uma saia vinho, que ao chegar perto da mesa saca algo que se parece com um telemóvel da cintura e fica para olhando para mim.

- Uma cerveja pode ser?
- Sim, pode senhor.
- Super Bock pode ser?
- Fino pode ser?
- Sim, pode

Voltando a nostalgia… o vidro do Café parece estar ali há muitos anos também, já viu e já reflectiu muita coisa… E o detalhe que me fez apaixonar, alinhado à porta, temos um esquema de ferro que faz correr uma cortina em formato de meia lua, que acredito sirva para indicar que o café está fechado.

O ambiente lá dentro é como o de todos cafés, pessoas conversando sobre diversos assuntos. Um senhor ao meu lado que não consome nada, mas fuma, ocupa uma mesa e lê um jornal, atrás de mim, uma jovem lê um livro em inglês com um gato preto na capa, ao meu lado, uma mesa que muda de dono a toda hora e a minha frente, um conjunto de mesas com pessoas das mais diversas, uma senhora com uma jovem (que acredito ser filha ou neta), uma pequena família a conversar, um casal de senhores e um casal que não se toca, quase não se fala, mas que existe ali alguma coisa talvez oculta pela diferença de idade.

Nesse meio tempo, meu fino já tinha chegado, e junto com ele uma nova safra de integrantes da mesa à minha esquerda, um pai com um filho, que lhe pede uma coca este toma e os dois se vão. Depois outro pai com outro filho, que desta vez pede um café para si, e contorna as reclamações do filho, enquanto bebe o café. E finalmente, um grupo que se estabiliza, 3 mulheres com um bebê. Que pedem tostas mistas, café, sumo…

Neste ponto, procuro outra coisa para prender a minha atenção. Mas percebo que meu fino havia acabado, 40min de fino… um breve acenar de mãos, a dona com a cópia de celular vem:

- Sim?
- Um galão por favor?
- Uma média de leite?
- Sim… pode ser…
Fico encabulado como algumas coisas tem vários nomes, e isso é dispensável.

Galão, ou média de leite, chega e junto dele, um casal arrastando um menino em um carrinho… E fico encabulado ao ver que o menino se diverte horrores naquele ambiente, e como a mãe se diverte com o pai e com o menino…

Poderia ficar aqui citando muitos outros detalhes, o modo como uma senhora tomava um gole do seu chá e secava a boca, sistematicamente do mesmo jeito. O modo como toda vez que alguém entrava esquadrinhava o ambiente, a procura do seu lugar favorito. A estufa de doces que não parece ser nova, nem velha…

Mas acho que o que fica desta experiência, é o fato de que cafés aqui em Portugal são isso. Um espaço de convivência para todas as idades, dos bebes nos seus carrinhos e roupinhas de lã, aos velhos com seus casacos escuros e fechados.

E mais uma vez, devo dizer: Eu adoro cafés! Não só pela bebida, mas pelo ambiente como um todo….

Agora, a foto… (agradecimento à Andreza)

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